Outubro Rosa: cannabis medicinal alivia os efeitos colaterais do câncer

Benefícios são sentidos na retomada da qualidade de vida dos pacientes

O câncer de mama é o tipo que mais acomete mulheres em todo o mundo. No Brasil, para o ano de 2022 foram estimados 66.280 novos casos, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Ainda de acordo com o órgão, esses números representaram 43,74 casos a cada 100 mil mulheres. A boa notícia é que a cannabis medicinal tem sido cada vez mais utilizada para aliviar os efeitos do tratamento do câncer. Além disso, existem pesquisas em andamento para comprovar que ela atua de forma a impedir a progressão da doença.

Como o câncer se desenvolve

De forma geral, o câncer é causado por mutações no DNA das células. Estas, quando saudáveis, possuem “instruções de como proceder”, ou seja, de que forma crescem e se dividem, assim como seu período de funcionamento. Quando ocorre algum erro nessas instruções, pode surgir uma célula alterada, que por sua vez, se torna cancerígena.

Essas células cancerígenas se dividem mais rapidamente do que as normais, o crescimento se torna contínuo e esse excesso de células invade progressivamente todo o organismo, adoecendo o corpo e dando origem aos tumores malignos. Além disso, possuem a capacidade de se desprender e se deslocar, resultando numa ação que chamamos de metástase.

Cannabis como aliada

É justamente nesse ponto que a cannabis tem sido estudada: para dificultar a progressão da doença. De acordo com Amanda Medeiro Dias, médica da Clínica Gravital na unidade de Curitiba, os fatores de crescimento antitumoral da cannabis vêm sendo estudados. “Normalmente temos visto a cannabis como tratamento sintomático, mas sabemos que ela tem muitas propriedades e há muitos relatos de casos ao redor do mundo de pacientes nos quais o câncer não estava mais progredindo”, diz ela.

Além disso, a cannabis aparece também como uma aliada no combate aos efeitos colaterais do câncer, como dores, ondas de calor, perda de apetite, ansiedade, insônia, náusea e vômitos, como explica a médica. “A cannabis pode ser utilizada como um tratamento sintomático, ou seja, para diminuir os sintomas dos pacientes com câncer. Ela pode trazer analgesia, que é a melhora da dor, e também funciona como um antiemético, pois melhora a náusea, principalmente após a quimioterapia. Além disso, ajuda no sono e trabalha como uma aliada no relaxamento muscular”, diz. A médica também explica que todos os benefícios são alcançados pelo fato de que a cannabis traz o equilíbrio ao sistema endocanabinoide, que possibilita melhorias para a qualidade de vida do paciente.

Melhora da qualidade de vida

É o caso de Giselle Goldoni Tiso, paciente oncológica que há seis meses faz tratamento com cannabis medicinal com o médico Bryan de Azeredo da Silva, da Clínica Gravital unidade de Porto Alegre. “As mudanças são imensas, pois eu tinha muitas dores por conta de uma série de efeitos colaterais do tratamento oncológico, principalmente na musculatura e articulações. As dores sumiram completamente”, afirma ela.

Segundo a médica Amanda, as dosagens e os resultados são muito individuais. “A partir da terceira semana já conseguimos apresentar resultados, principalmente para a sintomatologia. Para o paciente que está com câncer, não podemos prometer a cura, mas podemos melhorar a qualidade de vida, fazendo com que esse período em que ele está em tratamento seja o mais tranquilo possível, para ele continuar tendo uma qualidade de vida e fazendo as coisas com normalidade, pois isso é importante”, diz. Já para Giselle, os resultados começaram a ser sentidos mais rapidamente e a paciente conta que, depois que iniciou o tratamento, voltou a ter qualidade de vida. “O canabidiol é um apoio importantíssimo para esse tipo de tratamento. Eu comecei a sentir melhora logo nos primeiros dias e foi impressionante, porque no primeiro mês eu já estava absolutamente sem dor”, relata.

Giselle faz tratamento através de teleconsulta. Ela inclusive indicou o tratamento com cannabis para sua tia, que possui uma série de doenças autoimunes e diversas dores decorrentes disso. “Ela também está fazendo e está sem dores, é outra pessoa”, diz ela sobre os resultados. “Eu estou bem feliz, não só por mim, mas por poder levar também outras pessoas a esse tratamento que é fundamental e muito importante para uma série de doenças. Agradeço imensamente e que cada vez mais pessoas tenham acesso a esse tipo de tratamento”, finalizou.

A atuação da cannabis no tratamento da doença já é documentada por pesquisadores desde 1990, mas o grande avanço na pesquisa especificamente do câncer de mama ocorreu em 2007, quando o Dr. Sean McAllister mostrou que o CBD combate as formas mais malignas da doença. Desde esse relatório, existem vários estudos que confirmam e ampliam essas descobertas, além de pesquisas em andamento, que reforçam o potencial benéfico de canabinoides como CBD e THC no tratamento oncológico.

Fonte: https://paranashop.com.br/2022/10/outubro-rosa-cannabis-medicinal-alivia-os-efeitos-colaterais-do-cancer/

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